Entrevista: Raphael Draccon
Prepare-se para uma viagem nesta entrevista maravilhosa!
Raphael Draccon
Autor da série de livros Dragões de Éter:
Nova Ether é um mundo protegido por poderosos avatares em forma de fadas-amazonas. Um dia, porém, cansadas das falhas dos seres racionais, algumas delas se voltaram contra as antigas raças. E assim nasceu a Era Antiga. Hoje, Arzallum, o Maior dos Reinos, tem um novo rei, e a esperada Era Nova se inicia.
Entretanto, coisas estranhas continuam a acontecer… Uma adolescente desenvolve uma iniciação mística proibida, despertando dons extraordinários que tocam nos dois lados da vida. Dois irmãos descobrem uma ligação de família com antigos laços de magia negra, que lhes são cobrados. Duas antigas sociedades secretas que deveriam estar exterminadas renascem como uma única, extremamente furiosa.
Após duas décadas preso e prestes a completar 40 anos, um ex-prisioneiro reconhecido mundialmente pelas ideias de rebeldia e divisão justa dos bens roubados de ricos entre pobres é libertado, desenterrando velhas feridas, ressentimentos entre monarcas e canções de guerra perigosas. O último príncipe de Arzallum resgata sombrios segredos familiares e enfrenta o torneio de pugilismo mais famoso do mundo, despertando na jornada poderosas forças malignas e benignas além de seu controle e compreensão.
E a tecnologia do Oriente chega de maneira devastadora ao Grande Paço, dando início a um processo que irá unir magia e ciência, modificando todo o conhecimento científico que o Ocidente imaginava possuir.
E o mundo mudará. Mais uma vez.
O que seria “Dragões do Éter” por Raphael Draccon?
“Dragões” são o símbolo máximo da fantasia. “Éter” é a quinta-essência, o elemento presente em todo universo, o que nos liga ao sonho. Logo, o nome é uma metáfora referente a “uma fantasia que você alcança através dos seus sonhos”.
É uma história sobre sete jovens, em diferentes estágios da passagem da adolescência para a vida adulta, e sobre como acontecimentos externos aceleram essa transição.É uma história recheada de contos de fadas sombrios, clássicos da literatura e cultura pop, mas acima de tudo é uma história de amadurecimentos, redenções e buscas espirituais.
Você sempre pensou em ser escritor? Como surgiu essa vontade?
Por incrível que pareça, foi por causa do Bruce Lee. Aos 06 anos, eu fiquei fascinado com o mito que ele construiu e prometi a mim mesmo que seria escritor, trabalharia com cinema e seria faixa-preta.
Felizmente, foi tudo cumprido.
Você recebe estimulo de seus familiares e amigos para se dedicar cada vez mais a escrever?
Quando afirmei que seria escritor, meu pai disse que eu iria morrer de fome. Minha mãe afirmou que se era isso que eu queria fazer da vida, nós iríamos passar fome se preciso até eu conseguir. E nós sabemos que todo homem pensa que é o chefe da família, mas no fim das contas são elas que comandam, não?
Quem são seus autores preferidos? E seus livros prediletos?
Livro preferido seria o “Capitães de Areia”, do Jorge Amado. Foi muito importante para mim essa história e o fato de eu tê-la escolhido na pré-adolescência por prazer e não por imposição escolar. Na fantasia, a influência na infância foi Monteiro Lobato. Na adolescência, Robert E. Howard, criador do Conan.Dos autores recentes, meus preferidos hoje são o Markus Zusak, o Dennis Lehane e o Bernard Cornwell.
Para você, como os livros de fantasia podem estimular os jovens a gostar de ler?
Através de metáforas mais interessantes ao seu raciocínio e linguajar. Digamos, por exemplo, que o jovem em questão tenha um sonho, e que, como sempre, o alcance disse esbarre em uma imensa dificuldade que ele não sabe se tem capacidade de superar.
Se Umberto Eco for explicar através de uma história que ele pode superar toda dificuldade que surgir, a linguagem aos olhos desse jovem será truncada, difícil e chata aos olhos; e teremos gerado mais um não leitor.
Agora, se a JK Rowling for explicar ao mesmo jovem, ela vai dizer de forma mais simples e divertida aos olhos dele que, mesmo se ele for um órfão e tiver uma vida infernal, a magia que só ele enxerga pode lhe fazer vencer o maior desafio do mundo, se for esse o seu destino.
O resultado é que esse jovem vai gostar disso, e querer ler mais. Aí um dia ele estará preparado para Umberto Eco ou para o que bem precisar ler em outros momentos da vida.
Como foi o processo de escrita, até a publicação e divulgação dos seus livros?
Comecei a rabiscar o cenário aos 16 anos mais ou menos, sem imaginar o que se tornaria com o tempo. Foram anos montando devagar a coisa. O romance mesmo fui escrever lá pelos 21 ou 22 anos. Assinei o contrato aos 25; vi a publicação aos 26.
A espera de 4 anos mais ou menos até a publicação nesse meu caso foi até que relativamente rápida, perto do que se pode esperar. Quanto à divulgação, hoje em dia aquela figura do escritor que não aparece em público e fica isolado está morta. A concorrência é imensa e é preciso estar sempre pronto para defender suas idéias em qualquer lugar.
Qual dos personagens tem mais a ver com você? Por que?
Em “Dragões de Éter” talvez seja o jovem João Hanson; irmão de Maria Hanson, e sobrevivente da macabra casa de doces, arapuca de uma bruxa canibal.
Escrevi a história sem reparar tal semelhança. Eu só fui perceber quando escrita a última cena forte dele em “Dragões de Éter – Corações de Neve”. Ali entendi como também poderia ser encarado como uma metáfora da minha jornada.
Você faz algum tour pelo país, ou pretende visitar a Bienal do Livro de algum estado?
Visito escolas com a palestra “Por que uma história pode mudar o mundo”. Adoro esses encontros. Quem quiser me levar para uma palestras em uma escola, aliás, só escrever para o: assessoria@raphaeldraccon.com
E as Bienais de RJ/SP são obrigatórias. Esse ano estarei na de SP. Mas quero visitar as outras também. Acredito que a desse ano em SP será a melhor Bienal que já participei até aqui.
Qual o comentário mais legal que você já recebeu de seus livros?
Tem os que nunca haviam lido um livro por vontade própria e leram o “Dragões”. Tem o pessoal que mudou de idéia em relação ao preconceito com os escritores daqui. Tem tanta coisa bacana.
Mas se for para citar uma específica, posso citar a de um leitora que escreveu para agradecer porque estava passando por um caso de doença terminal em família e “Dragões de Éter – Corações de Neve” a ajudou a lidar com a situação difícil.
Se você pudesse mudar alguma coisa no mundo (qualquer coisa) o que mudaria?
A consciência espiritual.
Não me refiro à crença em religiões, mas ao sentido da vida como entrega a um objetivo maior do que o material. É triste ver as pessoas sobrevivendo, em vez de vivendo. Sem a caridade não existe paz interna. Sem a entrega, se enlouquece com tantas possibilidades ao desvio do caminho que traçamos para nós mesmos. Passar a vida sem gostar do trabalho que se propõe a fazer já é morrer em vida.
E não é uma questão que o mundo seja assim. Ele apenas está sendo assim. As pessoas hoje não estão exercendo o livre-arbítrio. Elas estão ignorando que ele existe.
Muito Obrigada pela entrevista. Gostaria de deixar alguma mensagem para os leitores do Garota It?
O prazer é nosso.
E a mensagem seria: sempre que aprenderem algo de bom em um livro, em um filme, um post, uma música ou qualquer outro meio, por favor coloquem em prática. Como dito antes, o mundo atual é um reflexo de nós mesmos.
E a única forma de modificá-lo é através do exemplo.
Sonhem conosco.






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15 Comentários para “ Entrevista: Raphael Draccon ” | Deixe um comentário »
Nunca tinha ouvido falar do livro; gostei bastante da capa! A entrevista também ficou muito legal!
:*
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Pâm Gonçalves Respondeu:
abril 20th, 2010 at 21:01
A capa é incrível mesmo! *-*
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